— Y-Bunda Piranha (Serventias da Bunda)
Sobre a bunda já se falou, em alto e bravo tom, muito poeta bom.
De Bandeira a Drummond, de Shakespeare a Bysshe Shelley; em francês então, tem um belo trocadilho, que quando vem para o Inglês, alcança sabor especial:
Disse La Fontaine certa vez:
"De la peau du lion l'âne s'étant vêtu
Était craint partout à la ronde"
————————— (Jean de la Fontaine, Fables de La Fontaine, Livro V. Paris, Claude Barbin, 1668)
Que em bom Inglês, assim se traduz:
"Dressed in the lion's skin, the ass spread terror far and wide".
Eis que "ass", em Inglês, além de bunda ser, é também de "asno" (ou mula, 'donkey') a significação, o que no texto em questão tem a sua aplicação.
Mas em má tradução, do Inglês para o Português, prefiro dizer de uma vez que...
"Vestida em pele de leão, a 'bunda' espalha terror até bem longe e largamente".
É que imagino a bunda, região de beleza sem fim... Quantas vítimas já causou... Quanta gente de valor por uma bunda se perdeu... De mulher e também de homem, a bunda é apreciada tanto por um como por outra.
Como diria Juca Chaves,
"Por causa de um bom rabo, muitas vezes se perde a cabeça..."
Disse assim Drummond:
"... A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. ...
——————— ("A bunda, que engraçada" - Carlos Drummond de Andrade- 'In' O Amor Natural)
Tem mulher que se amarra em bunda de homem bem feita. Eu aqui sou uma delas, mas não que veja nisso atributo indispensável; para mim, acima de tudo, homem tem que ser macho, no caráter e na caceta...
— Beleza em homem é secundário...
É preciso um bom caralho para a fazer o serviço direito.
Homem que fode com jeito,
com pica boa e potente,
cava um céu dentro da gente...
E se for na bunda posto,
não há nada de melhor gosto,
do que o cu a escorrer,
com porra prá valer,
no buraquinho apertado...
Sentí-lo todo melado...
——————————— (o autor disso é suspeito, já que prá falar de gozo, estou sempre bem disposta, só com isso a gente goza — DE NOVO! Faz a vida mais faceira, pois não há na brincadeira outra qualquer intenção, do que senão preparar a mão, prá quem vive só então.
Há quem diga por aí, que esse tipo de expressão, já não é mais erotismo. Ludugero assim escreveu:
No seco ou no molhado,
Na sala ou na avenida,
Na subida do aclive
Na descida do morro,
Na alameda dando bandeira
Quando ela requebra as cadeiras,
O mundo se bandeia de todos os lados
De frente e verso,
Rebola à torta e à direita,
Podendo até ser feia de cara,
Mas uma bunda é uma bunda,
Tem lá sua suprema importância.
É uma chama acesa em potência,
Que chama atenção redobrada
Que ao abundar, abunda e pronto,
Não prejudica o conjunto,
Ao causar impressão maravilhosa,
Da primeira à última vista
Nem que seja rebolando à toa,
E ainda mais se dourada pelo sol,
Abundante ao calor do bronzeado
Da cor do pecado ao deleite do dia.
E eu, cá com meus botões, na lida,
Que não sou bobo coisa nenhuma
E tenho lá meu apreço, no fundo,
Passo a contemplá-la num silêncio mudo,
Vou vendo aquilo tudo com alegria imensa.
Já desnudo de vergonha na cara,
Vou apreciando o que a bunda inteligente me dita.
E ela astuta com arte e manha rodopia,
Faceira, insinuando-me a vir vê-la.
Eu venho que venho, mas não me contenho
Ao dar de cara com a bunda, relaxo
E meto a cara na vida, não faço fita,
Não levo desaforos para casa,
Não vou dar o gostinho dela passar
Em brancos versos!
—————————— (Poema à Bunda, em http://ludugero.blogspot.com.br/2011/08/poema-bunda.html)
Mas então o que dizer, de tão grande inspiração, à bunda magnífica?
Cuja a serventia suprema,
razão de muito poema,
é foder para valer,
dar e receber prazer?.
Será que isso é pornografia (?), falar com ousadia, dos atributos da bunda encantada, que tantos poemas já produziu, não só no imenso Brasil, mas também no exterior, onde foder é amor (MAKE LOVE)?
No amor não há bunda, mas abunda carinho e emoção na mãe, que com abnegação, limpa do filho a bunda com atenção, em zelosa dedicação. Pirralho todo cagado, no berço esmerdeado, que berra pela mãe gentil... Quem é que já não viu?
Mas se da bunda já se falou com tanta maestria,
nem um verso encontrei sobre sua serventia,
além dos que acima tracei,
que sem estudo bolei,
assim sem qualquer inspiração,
só para explicação...
Manoel Bandeira, trovador,
do erotismo um precursor,
em terras brasileiras,
adotando outras soeiras
adentrou em outro campo mais pesado e nacional,
mas da bunda sensacional,
nem falou,
pouco explicou,
só lembrou do cu que encerra
da bunda o que só se ferra
num poema de heroísmo
que acaba com o erotismo:
A Cópula
Manuel Bandeira
Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e tungescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinente,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona a dentro o mangalho até o cabo.
———————— (Antologia Pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso / Alexei Bueno – Nova Fronteira, 2004)
Assim, mais uma vez, da bunda doce e querida, se viu outra vez suprimida, destituída com valentia, da bunda a serventia.
Mas aqui no Recanto incitada, pela Karolyne letrada, hoje me pus a pensar numa forma de ressaltar as serventias da bunda...
Que os deuses do Olimpo me ajudem e a bunda também,
porque qualidades ela tem,
prá prover inspiração...
É da vida um tesão!
Não tem quem por ela não se prenda
e até traz oferenda,
para a bunda cultuar.
É da bunda que vou falar,
sua serventia cantar
vamos ver no que vai dar...
Y-BUNDA PIRANHA
Prá baixo das costas de lindas donzelas,
Morenas altaneiras – ou loiras faceiras,
— E lindas ruivas não faltarão!
Empinam-se os montes sem imitação.
Mulatas aqui também se apresentam,
Na guerra ferrenha que todos comentam.
Requebram furiosas suas bandas altivas,
Cercando o meio sedento de glória.
Os cus já se incitam e cantam vitória,
Meigos ao verem os seus comedores.
Homens de raça, guerreiros potentes,
Membros gigantes empinam contentes.
De prodígios autores nas camas com glórias,
Em garbosas liças se lançam com brios,
E jorram nos regos em leitosos rios.
Mas bunda que é bunda não é só prá foder,
Existem outras coisas além de meter
Assim afirmam costureiros e estilistas:
“Bunda que é bunda sabe dançar:
Doces requebros em rodas de sambas,
Jogo das bandas que endoidecem os bambas.”
Da roda gentil que olha sorrindo:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos que a bunda enamora,
Derramam-se todos em torno da bunda
De quem é? – ninguém sabe o nome da dona
Seu nome não diz: - só se requebra
Mas sabe por certo como trepar gostosa,
Pois se mexe faceira com linda graça,
Todos concordam, isso não é chalaça.
As linhas corretas da nobre vestal
Abundam e encobrem o fio denta..l
Tem virgem xibio, mas toda contente
Desfruta por trás o que evita na frente.
Além de foder e saber sambar,
A bunda com graça sabe caminhar.
Dos vários aprestos da honrosa função,
Na passarela da moda com passos ligeiros
Onde movimenta com gestos fagueiros
Adornam a bunda com roupas gentis.
A custo o povo a tudo assiste!
Caminha a bunda, que a turba rodeia,
Garbosa em roupas de vário matiz.
Em tanto as mulheres com leda trigança,
Afeitas ao rito da bárbara usança,
De novo já querem à foda voltar.
Por as conas afinal não fodem ?
E deixam a bunda tranquila a ficar?
Afinal já se disse: bunda é só pra cagar!
II
Em sanitários de todas as cores,
Deca, Ideal, Celite ou Jacuzzi;
Com papéis de várias marcas
Neve, Finesse, Scott e Primavera,
Herdeiros remotos do Tico-tico,
Sul América e Beija-flor.
A bunda que requerem ver:
— Só prá cagar!... — Jamais se verá!
Sempre haverá uma pica dura,
A lhe ensinar a função principal,
Que muito mais do que sambar,
Na passarela caminhar ou,
Ainda se sentar,
Mesmo que seja prá cagar,
É a da bunda saber dar...
De coração!
É um martírio, que encobrir não se pode,
Pois se faz, deixa a bunda pobre
Sem poder se consolar...
— Que tens? — Hão de perguntar,
À bunda soturna, triste, sem graça.
Honra aqueles que te cobiçam,
Vê se afinal arranjas um piço.
Um só piço, potente, varonil,
Ache um bem forte!
Que ufano sobe; não vá viver assim
Fria de morte!
Rasteira grama, exposta ao sol, à chuva,
Lá murcha e pende:
Somente a bunda que o tronco aceita
O centro fende.
Que foi? Chegaste afinal ao prazer?
Como foi? Quem te fodeu?
E aquele que comeu? Ele Sobreviveu?
Não te acanhes bunda querida!
Por mesmo tendo sido comida,
Serás do guerreiro a vida.
Pois dele serás consorte e jamais te verás
Fria de morte!
III
Do corpo é a bunda de mais valia,
Conquanto outros órgãos nele habitem.
A mostrar sua primeira serventia,
Das mulheres se espera, acreditem,
Com ardor que demonstre galhardia,
Sem pois que sacrifício tipifiquem,
Poder e força sem competição
E de coração foder com tesão.
Mas e a bunda, todos questionam?
Como fica então? — Sempre indagarão.
Por que a bunda tão falada
Sempre entra na parada
Só na segunda rodada?
"Isso é mito sem igual!" — Diz logo o pau.
Pois a bunda com poder
Aguenta de cara foder,
Assim de primeira mão.
Mas suas outras serventias
Com a buça não convivem
E, pra evitar falação,
Tem que fazer lavação...
Que tira todo o tesão...
Eis aí a razão!
IV
A bunda é de morte,
Amigos, ouvi.
Sei do que falo,
Com a bunda cresci;
Amigos, descendo
Da Sapucaí.
Do carnaval arretado,
Que agora anda errado,
Samba atravessado.
Amigos, nasci;
Canto samba e baião
Canto também axé,
Se bobear dou em pé
Amigos, ouvi.
Já fodi de quatro,
E também no mato,
Longas picas tomei,
Mas sempre gozei
As ondas de amor,
Também veio com dor...
Picas grossas tomei,
Mas todas amei!
Não existe piça de ouro,
Todas elas são de couro,
Algumas são um estouro,
Outras nem tanto assim;
Mas se depender de mim,
Eu vou sempre até o fim!
De estranhos ignavos
Pica também já tomei,
Em conjunção carnal,
Em pleno carnaval.
Dá assim um puta medo,
Logo depois do arremedo
De puta profissional.
Pois mulher direita não fode,
Com todo e qualquer pau.
Tem que fazer amizade,
Calibrar na idade,
Se destituir de vaidade,
Se quiser foder gostoso.
Pois o homem bonitinho,
Quase sempre sai de fininho,
Depois da primeira gozada.
Homem macho é bicho feio,
Tem duas bolas no meio,
Que de olhar dá ate receio,
Mas quando aquilo se esvazia,
Traz tamanha alegria,
Que não tem explicação.
Você vai com a mão,
Começa tudo de novo.
E o homem quando é macho,
Jamais leva no esculacho
Uma foda prá valer.
Seu negócio é foder,
Basta botar na boca,
Prá se sentir como louca,
A crescer aquele bitelo,
Endurecer como martelo,
Que devagar a gente tira,
E de costas então se vira,
Para a bunda poder dar.
Não há medo de errar,
O cara não vai brochar.
É certeza comprovada
De sentir boa gozada.
Posição que a gente ama,
É pé no chão outro na cama
Com a bunda bem aberta.
Uma mão é de apoio,
Na parede ou outra parada,
Enquanto a outra sapeca
Siririca arretada...
Prá dupla satisfação!
Isso não é foder com a mão;
Pois no cu a gente sente,
Aquele bruta cabeção.
Se há tesão maior,
Eu não sei, não conheci,
Mas até onde eu vivi,
Falo para quem quiser,
Que a gente só se sente mulher,
Quando é bem enrabada;
Pois foder com a buceta,
Pode ser muito gostoso,
Mas é no cu que se sente
E se torna mais contente,
Quando vem a porra quente,
Que escorre e lambuza.
E se alguém de mim duvida,
Eu só rogo que divida,
Sua bunda com o companheiro:
Vai ser foda o ano inteiro!
V
Deixai pois, ó mulheres mal informadas,
Que sejeis enrabadas pelos seus bem-quereres.
Depois de assim foder de verdade,
Não tereis mais vaidade
De escolher só caralhos gigantes,
Pois o cu apertadinho sente qualquer carinho.
Tal e qual pequeno ninho, até de pinto pequeninho.
— Xoxota! — Disse a bunda de tesão enternecida
— Eu não faço questão da primeira mão,
Sou assim tão terna e sensível,
Que mesmo com mastro de menor tamanho,
Se duro estiver não me acanho,
Com paixão e afago eu amimalho,
É só apontar o caminho ao caralho
Do meu pungente e inimitável talho,
Que eu aguento todo o malho.
Eis que das outras serventias,
Que para mim todos veem,
Nenhuma, isso é certo, me deixa na fita
Mais charmosa e bonita,
Do que quando estou na iminência,
— Na verdade sem paciência —
De ser pela pica fodida,
Ainda que depois ardida.
Eis então, prestem atenção,
Nessa minha confissão,
De tudo que há no mundo,
Nada dá prazer mais profundo,
Prá quem dá e é comido,
Do que uma fodida comigo.
A bunda doce e por demais gostosa,
Cantada em verso e prosa,
Que só de ver já se goza!
E se houver num futuro sem nexo,
Qualquer nova invenção sobre sexo,
Que viva no meio da perna,
Ou um pouco mais acima,
Eu me cago toda de medo,
Mas num ato de arremedo,
Eu me mato, me suicido,
Pois já chega viver e sofrer,
Muitas vezes sem poder foder
Por medo, ignorância, encagaçamento,
De um pinto fedorento — aquela maravilha!
('In memoriam', com as devidas desculpas, de Gonçalves Dias... Poeta da PESADA! — Adoro I-Juca Pirama)
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